Cachete - S. M. Antigamente, no Nordeste do Brasil, era assim que se chamava qualquer comprimido para dor.

sábado, 2 de novembro de 2019

Joel Paviotti: A história de Irmã Maurina Borges da Silveira, a freira que foi terrivelmente torturada no Porão do DOPS durante o Regime Militar.

Madre Maurina, foi uma freira presa e torturada pela ditadura militar. Em 1969, irmã Maurina, então diretora de um orfanato de meninas em Ribeirão Preto, foi presa sob suspeita de abrigar membros do grupo guerrilheiro Forças Armadas da Libertação Nacional (FALN), que ela havia pensado que faziam parte do Movimento Estudantil Jovem (MEJ). Levada para o DOPS, em São Paulo, a religiosa passou por cinco longos meses de tortura, em sessões chefiadas pessoalmente pelo temido Delegado Sérgio Paranhos Fleury. Ao que se apurou em investigação realizada pela Comissão da Verdade, Madre Maurina foi torturada com choques elétricos, inserção de corpos estranhos em suas partes intimas e muitos socos e pontapés. 
As sessões só pararam por intervenção de frei Felício da Cunha, que ameaçou excomungar uma série de militares que trabalhavam na delegacia em São Paulo(segundo pesquisadores muitos agentes da repressão temiam tal punição). 
As organizações de esquerda, consideradas criminosas pelo governo militar, escreveram vários manifestos inocentando a Madre de qualquer participação em suas ações, mas não adiantou. Com o término das torturas físicas, a religiosa passou por  quatro presídios diferentes, até ser libertada em troca do Embaixador Japonês, sequestrado pela organização Vanguarda Popular Revolucionária.

Texto - Joel Paviotti 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Joel Paviotti: A história do Coronel Alfeu de Alcântara. A primeira vítima da Ditadura Militar.

Coronel Alfeu de Alcântara
Essa é pra quem diz que a Ditadura só matou "vagabundo" e "comunista". Alfeu Monteiro, desde 1961, era tenente-coronel e compunha o efetivo do Quartel General da 5ª Zona Aérea, da FAB, situado em Canoas, estado do Rio Grande do Sul.O militar participou ativamente da campanha da Legalidade, encabeçada por Leonel Brizola, que assegurou a posse do presidente eleito João Goulart, contestada, na ocasião, pelos ministros militares.
Liderando oficiais e sargentos, Alfeu impediu que os aviões da base levantassem voo para bombardear a cidade de Porto Alegre, onde o Governador Brizola comandava a resistência.
O ato foi considerado como desobediência ao Estado Maior das forças armadas.
Quando o golpe militar de 1964 foi desencadeado, os militares foram atrás de Alfeu e o executaram a tiros, como forma de vingança e castigo pela desobediência de anos passados.
No mesmo mês do assassinato, foi forjado um processo que absolveu o executor, imputando-lhe legítima defesa. O poder judiciário reconheceu anos depois que o inquérito, processo e julgamento foram fraudados, mas a lei da anistia garantiu a liberdade ao assassino de Alfeu.
O Coronel da Awronautica se recusou a bombardear Porto Alegre, pois não achava certo matar pessoas da própria nação, apenas por que os militares não concordavam com a tomada de posse de Joao Goulart, que inclusive estava garantida em lei.
Alfeu morreu por respeitar as leis e se recusar a derramar sangue inocente.
Texto - @Joel Paviotti 
(Caso queira copiar, por favor colocar os créditos, esse tipo de pesquisa dá bastante trabalho)

sábado, 22 de junho de 2019

De quem é a culpa do fim da Lava Jato??

Sérgio Moro e Deltan Dallanol. Criminosos??

- Então, Giovani. Você é a favor de soltar todas as pessoas que a Lava Jato prendeu??

- Não. Tem deles que realmente cometeram crimes. O problema todo é que, no tesão para prender Lula junto com essa ruma de bandidos, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e Carlos Fernando destruíram todo o esforço feito pela Operação Lava Jato. E até os procuradores bem intencionados, assessores e funcionários, foram colocados nesta vala comum de corrupção cavada com tanto afinco por esses três patetas! Se alguém estragou tudo, não foi o The Intercept. Não foi o Glenn Greenwald. Foi esse Trio canalhas... canalhas... canalhas!

E agora só existe uma saída. Zerar tudo! Soltar, infelizmente, todos! Quem tem culpa e quem não tem! E prender esse trio tenebroso por prevaricação, falsa comunicação de crime e fraude processual! Afinal, eles detonaram toda a operação Lava Jato, Toda!!!

Segue o Jogo!

(*) Imagem obtida em:

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Aberta a Temporada de Caça aos Blogueiros e Canais Alternativos do Youtube


Uma nova fase de Ditadura pode estar se iniciando no Brasil. Avisados por bogueiros medalhões como Leonardo Stoppa, Eduardo Guimarães e pela Jornalista Mônica Bérgamo, toda a Blogosfera e Jornalistas Progressistas estão em estado de alerta amarelo.
Os vazamentos do The Intercept com as conversas pouco republicanas entre o MPF e o atual Ministro da Justiça Sérgio Moro (à época juiz da Operação Lava Jato) pode dar início a uma série de ações da PF no sentido de calar Blogueiros que atuem em conjunto na divulgação destas notícias. 
Hora da Blogosfera Combatente se juntar novamente. Hora de colocar no ar a velha guarda blogueira. Blogs como O Cachete, Terra Brasilis, O Terror do Nordeste e Bodega Cultural estão renascendo para entrar nesta batalha. Não nos calarão!

"Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!" - Castro Alves

sexta-feira, 10 de maio de 2019

O Governo Bolsonaro NÃO é uma piada!

Não. Definitivamente, não é! A piada tem o condão de nos fazer rir. E rir de diversas situações. Das mais corriqueiras até as mais politicamente incorretas. Depende do gosto e do range de aceitação de quem escuta. O meu range de aceitação é largo... Mas não sou de contar todos os tipos de piada porque sei que nem todo mundo aceita uma piada como apenas... piada!
Mas voltemos ao eixo do texto!
O Governo Bolsonaro não é uma piada! É um filme de terror trash dos anos 70! Com direito a loucos, tarados, bonecas estranhas vestidas de rosa com um sorriso aterrador nos lábios.
Tem Ministro da Educação que não conhece nada de literatura ou matemática.
Tem Ministra responsável pela FUNAI acusada de sequestrar uma bebê de uma aldeia indígena.
Tem ator pornô como líder governista da Comissão da DEFORMA da Previdência. Deputado ruralista que entra armado em comissões.
Não. Isso não é piada. É sério. Muito sério!!

Deputado Cacique Mário Juruna
Bons tempos em que a figura mais estranha do Congresso era um Cacique que gravava tudo que os outros falavam por não "confiar no que o homem branco fala!". Você estava certo, Cacique Juruna! Saudades do "Índio grava tudo!".

Esse Governo não é uma piada... Um piada só nos faz chorar de rir... 

segunda-feira, 18 de março de 2019

O Entreguismo Bolsonarista

Jair Bolsonaro - Entreguista
É incrível e lamentável o nível do entreguismo da Família Bolsonaro para com os Estados Unidos. O corpo fala! A subserviência está sendo exposta nos discursos, nas entrevistas e em cada aperto de mão. O Brasil está sendo vilipendiado à granel. Já foram o Pré-sal, os aeroportos, a Base de Alcântara... E muito mais! Estão na mesa de entrega as minas de urânio e nióbio. E, para agradar nossos colonizadores, as embaixadas e consulados já se preparam para gerar processos de expulsão dos brasileiros que estão em situação ilegal nos Estados Unidos... Com extensão, em breve, para outros países.
Bolsonaro se prepara para fazer um grande Acordo CARACU. E os Estados Unidos entram com a CARA...

"Meu Deus, o que nós fizemos!" - Cap. Robert Lewis, co-piloto do B-26 Enola Gay após o lançamento da bomba, às 08h15 do dia 6 de agosto de 1945

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Lula está preso porque é pobre, babaca!


"Lula está preso, babaca!". Ecoa a frase agressiva de Cid Gomes na minha cabeça. Frase agora colocada nas bocas da maioria dos destemperados da Direita inculta, covarde e cínica do Brasil.
É verdade! Lula está preso. Não mais em uma prisão! Está preso em uma masmorra fria na República Nazifascista de Curitiba, Também conhecida como Sede da Polícia Federal do Paraná. Sim. Esse pequeno território cercado pela bela cidade de Curitiba/PR funciona como uma republiqueta de ideologia fascista que, governada por um bureau de caudilhos tiranos,  detém O gigante.
"Lula está preso, babaca!". Sim está preso. E só está preso porque é pobre.... "Epaaaaaaaa! Lula pobre????". Vai dizer você de direita que ousou ler meu artigo até aqui... "Lula tem muitos bens! Tem sítio... E dono de outro sítio em Atibaia (quem diz isso é mal informado ou canalha, mesmo!)... De uma apartamento em São Bernardo do Campo... E muitas outras coisas", diria você dando continuidade ao seu discurso.
E eu direi. "Lula está preso, babaca!". E está preso porque ser pobre no Brasil não é uma questão de ter dinheiro. É um conjunto de características ou um estado de espírito. Você pode ter todo dinheiro do mundo. Mas se está a favor de minorias, defende acessos para elas, promove ações em função delas e vive por estas minorias... Ah, meu amigo! Você é tão pobre quanto elas... Jamais será aceito no seio do alto escalão social brasileiro. Será uma pária! Mal visto nas rodinhas dos clubes. Seus filhos serão isolados pelos filhos ricos nas baladas da "night". Claro... Se pensarem e agirem como você... Se forem "rebeldes" defensores dos bordões "bandido bom é bandido morto", "universidade é para a elite pensante do Brasil! ou "rosa é para menina e azul para o menino", serão aceitos pelos seus pares nos camarotes das boites da alta sociedade brasileira.... Basta pagar a "bebida que pisca" para os amigos e falar de como seus pais são idiotas esquerdopatas...
Por outro lado, o fenômeno inverso acontece... De forma individual, tem gente que mesmo vivendo de salário, pagando as prestações do seu HB-20 na base do "se vira nos trinta" e entrando no cheque especial todo mês, se julga um "Classe Média"... Isolado da realidade que o cerca, se achando melhor que seus vizinhos de prédio (muitas vezes devendo meses de condomínio), se acha rico! E, na sua varanda de grade enferrujada, já bateu muita panela Tramontina e vaiou Lula e Dilma em seus pronunciamentos na velha TV com tubo de imagem (mas é de 39 polegadas!). Um trambolho no canto da sala! Ricos meninos pobres...
Mas "Lula está preso, babaca!". E nada podemos fazer. Já não existem leis no Brasil. Já não existe segurança jurídica. Já não existe STF. 

Tudo é por interesse. E não é interessante para essa elite que puxa o saco dos caudilhos da República Nazifascista que Lula, aquele que está preso, seja solto ou que ele apareça em público... Pois ele move massas.... E massas possuem uma força sobre-humana quando estão juntas... 
"Lula está preso, babaca!"... Por enquanto!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

De volta às letras!

Estou de volta. As facilidades do Facebook fizeram com que eu abandonasse O Cachete. Pensei bem. Já são tantos anos e textos. Decidi voltar! Afinal, esse novo governo, ou desgoverno, vai nos dar muito material para escrever. Desde suas loucuras até seus atos fascistas. E a trincheira precisa ser reforçada. Tentarei ser mais assíduo na criação de textos e análises para vocês. 
Obrigado pelo carinho de sempre! Espero atendê-los em suas demandas de boas leituras!
Firmes na luta!

domingo, 21 de outubro de 2018

Renan Araújo: Não vai dar em nada, mas já deu em muita coisa!

Renan Araújo
Movimento Médicos pela Democracia
O rei está nu!
Corríamos o risco de chegar o dia 28 e o "Deus acima de tudo, o Brasil acima de todos" vencer as eleições.
Seria a vitória da mentira com cara de verdade. A vitória da hipocrisia.
Ironicamente, a primeira fala que vem da boca do candidato   fraudador em seus programas é uma citação bíblica: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".
De repente, surge a verdadeira verdade (isso mesmo!). Um sofisticado esquema de caixa 2 reuniu 156 empresários que  injetou na campanha 12 milhões de dinheiro ilegal para alimentar 40 mil grupos de WhatsApp de fora do país (oh, o patriotismo) com objetivo de disparar mentira, muita mentira contra os concorrentes, claro que dando prioridade máxima ao candidato das forças democráticas e populares.
Imagine os milhões de eleitores que receberam montagens grosseiras, videos editados, frases não ditas, ilícitos não praticados por Haddad e Manuela.
As tias e tios, os jovens do primeiro voto, pessoas humildes que até admiravam o PT e tudo de bom que ele fez pelo povo, bombardeados por falsas informações sistematicamente, diariamente, invadindo as caixas de WhatsApp e formando opiniões deturpadas sobre o processo eleitoral.
Do nosso lado, a resistência. A resistência orgânica, militante. O "trabalho de formiguinha", a tentativa do convencimento. Muitas vezes as conversas gerando desânimo, diante do bombardeio de "informações" recebidas pelos nossos interlocutores.
No WhatsApp o "capitão" virou um homem honesto, Manuela virou um monstro, Haddad virou um terrível chefe de quadrilha e um delinquente amoral.
Não tenho ilusões que essa descoberta com provas robustas de crime eleitoral vá dar em alguma coisa.
Lembremos que desde 2013 estamos sofrendo um golpe contínuo e sistemático.
Dilma foi cassada sem crimes, Lula foi preso sem provas.
A direita, que não tem condições de assumir o poder pelo voto, não permitirá que a eleição seja conduzida democraticamente.
Quem não respeitou decisão da ONU não respeitará esperneio de partidos de esquerda e de movimentos sociais e populares.
"Mas Moro disse que caixa 2 é pior que corrupção". Esqueça que Moro disse isso. "Mas Fux disse que fake news pode levar a cassação de uma chapa". Esqueça que Fux disse isso. Eles já esqueceram. Isso só era válido contra o PT.
Eles fazem parte do golpe e o candidato do golpe é Bolsonaro. Foi ele o único que restou do estoque de golpistas nos últimos dois anos.
Bolsonaro é o último bastião do golpe. É tosco, é incompetente, é grosseiro, é corrupto, é fascista, mas não tem problema para eles. As elites precisam de Bolsonaro para derrotar o povo. E assim o farão.
Não esqueçamos que os Generais, avalistas do "capitão", estão incrustados fortemente no executivo, no judiciário, na vida do país, elevados que foram a "salvadores da pátria" através das mesmas fake news divulgadas pelo mesmo WhatsApp que ora denunciamos aqui.
Então você pode perguntar: por que você diz que já deu certo?
Deu certo porque nós vamos fazer esse final de campanha de cabeça erguida sabendo que não temos no Brasil 50 milhões de fascistas. Nós temos milhões de pessoas enganadas, ludibriadas, iludidas pelo bombardeio de fake news agora denunciadas.
Os que quiserem se manter enganados, cegos, hipnotizados pelas mentiras, que faça mal uso do seu voto.
Os que se permitirem refletir sobre a trama sórdida que os envolveu, sejam bem vindos. O voto em Haddad é bem vindo. Só ele pode tirar o Brasil do caos que se anuncia.
Que venham conosco. Que venham para a democracia.
A verdade vai nos libertar, a verdade vai nos fazer continuar a luta e resistir.
A verdade acima de tudo!

Renan Araújo é Médico e integrante do movimento Medicos e Medicas pela Democracia

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Professo Sivaldo Souza Silva fala sobre o fluxo migratório venezuelano em Roraima

Sivaldo Souza Silva é Doutorando em Engenharia e Saúde Ocupacional pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto/Portugal, Mestre em Tecnologia Ambiental pela Associação Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco (ITEP), Especialista em Comércio Exterior pela Universidade Federal Rural de Pernambuco e Graduado em Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Federal de Roraima. Vice-líder do grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Saúde, Engenharia e Matemática (GPISEM) em cadastramento no CNPQ; tem experiência nas áreas de Matemática, Estatística, Ambiental, Saúde Ocupacional e Elaboração de Projetos de viabilidade econômico-financeiro.

Professor Sivaldo Souza

Sivaldo Souza é candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT-RR) e fala, com exclusividade, ao ContextoLivre sobre a situação do fluxo migratório venezuelano no estado de Roraima e sobre as implicações que esse fenômeno político-social e econômico representa para a sociedade roraimense.

ContextoLivre – Estima-se que Roraima abriga cerca de 70 mil venezuelanos, o que corresponde a 20% da população do estado. O estado tem estrutura para comportar tantos imigrantes?

Prof. Sivaldo Souza – Infelizmente, o estado de Roraima não está estruturado para receber, num curto espaço de tempo, tantos imigrantes venezuelanos – diga-se, de passagem, que também recebemos imigrantes da Guiana ainda que em menor escala. Na verdade, pelo porte, pela infraestrutura na área de saúde, na área de educação, esse percentual corresponde a, mais ou menos, 15% da população. Esse número significa um acréscimo muito grande num lapso muito pequeno de tempo. A solução, para desafogar a estrutura de suporte à saúde, à educação, à moradia, e de infraestrutura como um todo, deve ser, realmente, uma política de transferência e redistribuição desse universo populacional de imigrantes venezuelanos para outros entes da federação, porque o estado não tem estrutura para comportar esse fluxo migratório vindo do país vizinho.

Roraima tem um plano de desenvolvimento para lidar com esse fluxo?

– Roraima não tem um plano de desenvolvimento para um evento desse porte. Na verdade, poderia até dizer que, se existisse um plano, esse fluxo migratório seria até benéfico porque incorporar na economia mão de obra com muita qualificação profissional – há venezuelanos muito qualificados – que não custou nada para o estado. Roraima é um estado cujo tamanho em termos de área territorial é enorme. Então, do ponto de vista geográfico, o estado comporta um acréscimo na população. Mas, para isso, é necessário ter um plano de desenvolvimento e, nesse plano de desenvolvimento, deveríamos olhar para a Venezuela como um momento de oportunidade e não como um problema, já que o PIB da Venezuela é muito maior do que o do estado de Roraima. Então, se se incorpora mão de obra qualificada e se tem um plano de desenvolvimento que leve em consideração os arranjos produtivos locais, teríamos um momento de oportunidade extraordinário. É necessário, dessa forma, repensar essa política de análise de imigração. Entretanto, para isso, o estado teria de possuir um plano de desenvolvimento que contemplasse não apenas a capacidade de exportar e importar para a Venezuela, mas também levar em conta que há outro país que faz fronteira com o Roraima, que é a Guiana. Tanto a Venezuela quanto a Guiana poderiam ser duas bases de exportação e, para isso, é fundamental resolver outra questão do estado que é a segurança energética. Esse problema energético possui várias soluções, mas o Brasil optou pela confrontação e não pela cooperação. A questão energética de Roraima, por ser o único estado do Brasil que não está interligado ao sistema elétrico nacional – Sistema Interligado Nacional (SIN) – é muito grave, pois dependemos da energia produzida na Venezuela e, nesse momento, a central elétrica de Guri está com problema em sua manutenção e a crise venezuelana está se agravando. Uma política inteligente seria basicamente o que foi feito com o Paraguai: participamos da construção de Itaipu e colaboramos para desenvolver o Paraguai. Esse país faz fronteira com o Brasil, tem fluxo migratório, porém, como há desenvolvimento dos dois lados, não são vistos problemas como os que se veem hoje na relação Roraima-Venezuela. Deveríamos trabalhar para recuperar a economia venezuelana, fazendo uma interação com a nossa economia e, aí, eu incluiria também a Guiana. Com esse país, teríamos a opção de um porto de águas profundas que serviria de ponto de exportação para nossos produtos agropecuários. Quer dizer, esse momento poderia ser visto como um momento de oportunidade, mas o estado não tem um planejamento, e o Brasil, também, nos últimos dois anos, acabou com o que tinha de plano crescente de desenvolvimento.

Como o estado pode se beneficiar desse fluxo e quais seriam os caminhos para isso?

– Sim. O estado pode e deveria se beneficiar desse fluxo migratório. Como eu já coloquei, a Venezuela tem um PIB enorme, tem uma natureza belíssima, é um país dotado de um potencial turístico enorme, possui um setor hoteleiro muito grande, e nós temos, no estado de Roraima, uma população de apenas 500 mil habitantes. O estado precisa aumentar sua população, porque o desenvolvimento necessita também de mais mercado consumidor. Um estado cujo tamanho corresponde, por exemplo, ao Reino Unido, é um estado que precisa ser mais povoado. E a forma de se beneficiar desse fluxo migratório é levar em conta a grande quantidade de mão de obra qualificada, analisar os arranjos produtivos locais, ver que nós temos uma grande potencialidade no setor agropecuário, no setor da agroindústria e temos um grande potencial turístico. Podemos ser, também, um polo de desenvolvimento de produtos de alta tecnologia para exportação, porque estamos a uma pequena distância do maior mercado consumidor mundial, que é os Estados Unidos. Por outro lado, temos, também, todo o Caribe aqui perto do estado de Roraima. Agora, o estado não tem população nem mão de obra qualificada suficiente, ao passo que a Venezuela possui uma parte dessa população, que já está em Roraima, com muita qualificação, buscando qualquer forma de sobreviver por conta da crise. Seria necessário, na verdade, repensar essa questão do fluxo migratório, essa política de imigração, mas, para isso, teria que ter um plano de desenvolvimento para o estado. Infelizmente, o que se vinha construindo de política de desenvolvimento para a região, quando o Michel Temer assumiu o poder, ele foi para uma outra linha de ação que foi basicamente de confrontação, de subserviência aos Estados Unidos, ideologizou algo que deveria estar no plano econômico. E aí a situação do estado se agravou. Quanto à questão energética de que já falei, teríamos de interligar Roraima ao sistema elétrico nacional ou então investir na manutenção da central elétrica de Guri, que abastece 10 dos 15 municípios de Roraima, incluindo Boa Vista; trabalhar a questão de energias alternativas por conta das grandes distâncias que se têm em relação às áreas mais afastadas, mais rurais. Deveríamos nos aproveitar desse fluxo migratório de outra forma. Estamos perdendo um momento importante para o desenvolvimento do estado de Roraima.



Há grande insatisfação da população roraimense com a presença de venezuelanos. No mês passado, moradores do município fronteiriço de Pacaraima atacaram e expulsaram alguns imigrantes. Considera esse um ato xenófobo (crime previsto no artigo 20 da Lei Federal 7.716/89)?

Hoje, há uma insatisfação da população com o grande fluxo migratório de venezuelanos. Mas eu não consigo enxergar o estado, o seu povo em sua maioria, como tendo características xenófobas. Na verdade, Roraima é uma grande mistura de povos. Temos gente de todos os estados da federação e até pouco tempo atrás esse convívio, entre roraimenses e venezuelanos, era natural. Venezuelanos moravam em Roraima, roraimenses moram na Venezuela. Agora, o Brasil passa por um momento político muito especial que permite que uma pequena parte da população se porte como xenófobo, com um comportamento mais hostil contra os imigrantes. Esse percentual é xenófobo mesmo, intolerante. Relativamente ao caso de Pacaraima, considero que vários fatores contribuíram. A cidade tem em torno de 10 mil habitantes com 1.200 imigrantes vivendo na rua ou em abrigos, alguns mais ou menos estruturados, outros improvisados. O acréscimo é muito grande para uma cidade que não tem o suporte para dar atenção a essa população. O fato concreto é que não há entendimento entre o governo federal e o estado, além de interesses políticos em acirrar os ânimos. Alguns agentes políticos, que dominam a política do estado, querem, de alguma forma, uma confrontação. Essa confrontação tem a ver com a busca de votos e aí se jogam os habitantes uns contra os outros. Como não há um controle no fluxo migratório, pessoas de diversas índoles estão entrando no país, entre esses imigrantes, evidente, há aqueles que não têm um comportamento decente enquanto cidadão. E, em Pacaraima, o acréscimo de crimes diversos – furtos, roubos, latrocínios – recai sobre os venezuelanos. Isso vai se agravando e aí você pega algumas pessoas que usam essa situação para incendiar a população e aconteceu o que se divulgou em rede nacional. Mas, reafirmo, não considero que a maioria da população seja xenófoba. Há uma insatisfação porque o estado não suporta o fluxo migratório e não se planejou. O governo federal deveria dar suporte para o estado, porque Roraima não teria condições financeiras de comportar um acréscimo tão grande na população. Mas tudo vira um jogo político e não uma política social, uma política humanitária, uma política de desenvolvimento.

O poder público estadual é responsável por tratar do problema do fluxo migratório venezuelano ou essa é uma questão que diz respeito, exclusivamente, à esfera do governo federal?

– O fluxo migratório, neste caso, é uma política entre países. Mas como acontece pela fronteira de Roraima, o estado também participa, embora todo o controle na fronteira deva ser feito por instituições federais (Polícia Federal, Receita Federal e a Guarda Nacional quando for destinada para esse fim). Agora, a partir do momento que entra no Brasil, passa a ser, também, um problema do estado de Roraima. Essa ação deveria ser uma ação conjunta envolvendo as nações (Brasil, Venezuela), o ente federativo (Roraima) e a própria ONU. O grande desafio é que, em termos nacionais, o Brasil optou por não buscar soluções negociadas para minimizar essa questão. O Brasil optou por buscar a confrontação. O governo estadual, por outro lado, tem um problema de gerenciamento, um problema próprio do estado que é não ter se preparado para essa situação. Esse fluxo já vem acontecendo há algum tempo, só chegamos a um volume considerável agora, mas não é recente. Então, você tem a ausência de agentes políticos, tanto do estado como do governo federal, e aí deixam o problema se avolumar esperando que as coisas se acomodem. Entretanto não se tem um mercado consumidor que consiga acomodar esse contingente de imigrantes sem uma política de investimento na infraestrutura, na capacidade de atendimento nas áreas de saúde, de educação, de moradia, enfim, um planejamento de desenvolvimento capaz de incorporar essa mão de obra migratória. Dessa forma, vejo como um jogo de “perde-perde”. O estado de Roraima e a União são dois agentes que não estão correspondendo ao momento histórico, não estão à altura do problema, não dialogando de forma construtiva. Então, é um problema que ainda vai demandar um tempo para ser resolvido.

A mídia corporativa brasileira tem dado destaque à Venezuela como sendo uma ditadura levada a ferro e a fogo por Nicolás Maduro. O senhor concorda com a veiculação dessas informações?

– Não concordo que a Venezuela seja uma ditadura. Na realidade, se observamos a história da Venezuela, constataremos que o país costuma respeitar às regras democráticas. Agora, a mídia brasileira registra os fatos, deturpando-os inúmeras vezes, conforme sua conveniência ideológica e de conluio com certa política de alinhamento com os interesses dos EUA e de certo segmento político brasileiro. Para grande parte da mídia corporativa brasileira, alguns são aliados, e outros não, ao sabor da conveniência discursiva e de benefícios financeiros que o apoio das pouquíssimas famílias que controlam o setor midiático brasileiro pode auferir. Os interesses são abjetos, são escusos. Portanto, a discussão não se circunscreve ao fato de a Venezuela ser ou não ser ditadura. Jamais se ouviu falar que alguns países muçulmanos ou africanos são uma ditadura pela mídia brasileira, porque para ela é conveniente não noticiar isso. A Venezuela tem um presidente democraticamente eleito. O processo democrático seguiu seu rito. Alguns países questionam, porém, quando se faz uma análise mais profunda, perceberemos que essa veiculação de que a Venezuela é uma ditadura está plantada em interesses econômicos maiores num um xadrez geopolítico que tem como protagonista os EUA. Garanto que, se a Venezuela não tivesse tanto petróleo, eu diria que essa discussão seria relegada à margem de fatos noticiosos sem nenhuma importância para as grandes nações que necessitam desses recursos naturais, principalmente os EUA. A mídia falseia a verdade. Em função desse panorama de pressão externa e com as sucessivas tentativas de golpe contra Nicolás Maduro patrocinadas pelos EUA, a democracia, sem dúvida, começa a se enfraquecer. O fato é que não há na Venezuela lideranças que façam o contraponto ao atual presidente. Podem-se questionar os problemas advindos da gestão de governo, da condução de política econômica, mas jamais dizer que na Venezuela existe uma ditadura, como a mídia insistentemente tem propagado de maneira falseadora e criminosa do ponto de vista de um jornalismo sério e imparcial que se espera.
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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma."
(Joseph Pulitzer)