Cachete - S. M. Antigamente, no Nordeste do Brasil, era assim que se chamava qualquer comprimido para dor.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Bruno Carneiro: Opinião

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Bruno Carneiro
Doutor em Física

Em viagem pela Europa a trabalho
Já é a segunda ou terceira vez que vem algum europeu preocupado me perguntar sobre a situação política brasileira. Começo a explicar sobre a reforma previdenciária e trabalhista, e de como as novas regras vão retirar o poder de barganha dos trabalhadores, principalmente os situados nos setores de menor especialização, e os afastados dos grandes centros onde há dependência financeira do estado e poucas alternativas dentro da iniciativa privada. A pergunta que inevitavelmente segue é:

- Mas vocês VOTARAM para este plano de governo?

Aí eu respiro fundo e digo que não. Concordamos que, se retiram do poder uma presidente democraticamente eleita para implementar o programa de governo oposto, é "un coup d'état" (malditos britânicos que se recusam a ter um termo em inglês para isto).

Digo sorrindo que as gentes no plano equatorial temos o costume de nos auto-sabotar a cada 20 anos. Então voltamos a falar de física.

Qual será o próximo erro do Sérgio Moro?

Resultado de imagem para sergio moro
Juiz Sérgio Moro
Camisa Negra
Qual será o próximo erro do Sérgio Moro? Conduções coercitivas ilegais, vazamentos de áudios com diálogos com a presidenta do Brasil, prisões temporárias sem fundamentação legal, bate-boca com advogados de defesa, declarações estapafúrdias na página de Facebook da própria esposa que serviu de testemunha acusatória do presidente Lula no Processo da Operação Lava Jato... Onde este senhor quer chegar? Mas basta pedir desculpas ao STF... Ou retirar o nome da fonte do Blogueiro conduzido coercitivamente do processo... E está tudo resolvido!
O Brasil corre risco de entrar em uma Ditadura Policial Judiciária protagonizada por estes novos entes da república que adoram microfones e holofotes (cito o Ministro Gilmar Mendes para dividir esta carga com Sérgio Moro)... O mal exemplo veio de Joaquim Barbosa que adorava aparecer na TV Justiça batendo boca com o Gilmar...
Ah... Essa TV Justiça... Antes não tivesse sido criada! Ultimamente só passa filme de terror e de ladrão!
E é melhor este blogueiro parar por aqui... Vai que o Dr. Sérgio Moro cisma de mandar a PF me visitar??? Eu detesto acordar cedo!

Clique aqui para saber mais sobre os Camisas Negras.

terça-feira, 21 de março de 2017

Pablo Vilaça: Começou!

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Pablo Villaça
Crítico de Cinema

Até que demorou, mas hoje o juiz Sérgio Moro finalmente decidiu assumir a postura de dono do limite da liberdade de imprensa e de expressão. No início da manhã, o blogueiro Eduardo Guimarães foi vítima de condução coercitiva por parte da Polícia Federal, que agiu com a autorização de Moro. Querem saber qual a acusação? Que crime ele cometeu? Quantas vezes se recusou a depor até passar pela condução coercitiva?
Nenhuma. Nenhum. Nenhuma.
Sem jamais ter sido intimado para depor, Guimarães foi forçado a ir prestar depoimento não acerca de algum ato ilícito, mas como testemunha de um processo acerca do vazamento de uma informação - neste caso específico, por ter antecipado que Lula passaria (vejam só a ironia) por condução coercitiva na manhã seguinte.
Vamos contar os absurdos da situação? Vamos: uma testemunha (ponto 1) que jamais havia sido convocada a depor (ponto 2) passa por condução coercitiva (ponto 3) e tem seus equipamentos confiscados pela PF (ponto 4) para que revele quem foi sua fonte de informação (ponto 5).
Ah, mas não para por aí: como o jornalista tem direito a preservar sua fonte, Moro usou como justificativa o fato de Guimarães NÃO SER FORMADO EM JORNALISMO. (Mesmo que no Brasil não haja a exigência de diploma para exercer a profissão.)
Já é o suficiente? Não? Querem mais absurdos? Ok: segundo o advogado de Guimarães, Fernando Hideo, que conversou com Renato Rovai, "o o juiz Sérgio Moro está processando Eduardo Guimarães por conta de um post que ele fez no seu blogue. Ou seja, (...) é suspeito para lhe dar ordem de condução coercitiva e não poderia ter agido neste caso."
Mas este é o Brasil de hoje: o mesmo Moro que vazou para a imprensa as gravações ILEGAIS entre Lula e Dilma agora reprime um blogueiro por divulgar uma informação passada por fonte anônima. (Ah, qual foi a punição de Moro, por sinal? Nenhuma. Ele apenas pediu "desculpas" ao STF por suas ações.)
Tenho várias ressalvas quanto ao tipo de jornalismo que Eduardo Guimarães pratica (algumas são puramente estéticas, confesso; há um tom sensacionalista que me desagrada em seus textos) e já discutimos publicamente no Twitter há muito tempo (salvo engano, ele chegou a me bloquear). Mas mesmo que ele fosse, sei lá, Rodrigo Constantino eu o defenderia neste caso sem qualquer hesitação - o que está em jogo aqui são a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.
E que os jornalistas e blogueiros da direita não se iludam: a repressão, quando normalizada, não respeita fronteiras ideológicas. Em outras palavras: se não se posicionarem diante deste absurdo por uma questão constitucional, posicionem-se ao menos por interesse próprio.
O que ocorreu hoje é apenas o começo; para onde caminhará, ninguém é capaz de antecipar.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Deixe de bobeira, companheira. Sou eu

Estava eu lendo as mensagens que recebo inbox (são inúmeras e não dou conta de responder todas) quando vejo a de uma moça dizendo que trabalha no Instituto Lula e gostaria de conversar comigo sobre um texto que escrevi cujo link para quem não viu segue aqui:

https://elikatakimoto.com/…/24/prometo-nao-tocar-no-assunto/

A moça que se chama Gabriella pediu meu telefone. Dei uma estalqueada de leve nela para saber com quem estava conversando e se poderia fornecer meu número. Vi várias fotos no perfil dela com o Lula. Quem tira foto com o Lula não pode ser má pessoa, pensei. Quem acreditou e acredita nele torce para que a desigualdade social diminua, fica feliz em ver negros em universidades e pessoas saindo da linha da miséria. Então, concluí, ela tem cara de quem vai fazer um bom uso do meu telefone e do meu voto de confiança.

Em menos de cinco minutos o telefone tocou.

– Elika, Gabriella do Insititulo Lula. Um minuto que vou transferir sua ligação.

– Ok. – respondi pacientemente.

– Alô, Elika. Oi, querida. Aqui quem fala é o Lula.

Abre parêntese.

Não sei o que você pensa a respeito dessa figura histórica, mas uma coisa é fato: quem estava do outro lado do telefone foi o presidente mais amado do Brasil cuja vida se confunde com a luta de toda uma geração de brasileiros que sonha com um país socialmente mais justo.

Não convém enumerar todos os prêmios e condecorações que ele recebeu não somente aqui como em vários outros países. A título de exemplo, no Brasil, Lula recebeu a medalha de ordem do Mérito Militar, Naval, Aeronáutica, a Ordem do Cruzeiro do Sul, do Rio Branco, a ordem do Mérito Judiciário e da Ordem Nacional do Mérito. Recebeu da UNESCO, em 2008 o Prêmio da Paz; em 2009 foi destacado como O Homem do Ano nos jornais Le Monde e o El País. Em 2012 recebeu o prêmio de Estadista Global em Davos na Suíça. Mas há N outros que não citarei para a postagem não virar uma biografia dele.

O que quero dizer a vocês é que eu estava falando com um homem que mudou o destino de muitos brasileiros e no qual votei em todas as vezes em que ele se candidatou para presidente por acreditar no projeto que ele apresentou.

Não estou dizendo que quem me ligou foi o homem mais honesto do Brasil, mas sem dúvida, o homem que proibiu em seu governo a palavra “gasto” quando o assunto era Educação e Saúde. O responsável pelo Brasil ter saído do mapa da fome e por hoje ter nas salas de aula do meu CEFET, negros e pessoas carentes cujo destino foi mudado por uma oportunidade. Como disse no meu texto supra citado “Se ganharam os cotistas com a oportunidade, ganhamos muito mais os professores por entender que capacidade intelectual nada tem a ver com a nota de uma prova de seleção e mais ainda enriqueceram os outros alunos por testemunhar o esforço de quem vive em outra realidade.”

Fecha parêntese.

– Mas o quê? Como?! Lula!!! Não acredito!!!!!

– Acredite, querida. Estou te ligando porque quero te parabenizar e agradecer por esse texto maravilhoso que você escreveu.

– Mas quem me garante que não é um imitador? No Brasil inteiro tem gente que imita o Lula!

– Deixe de bobeira, companheira. Sou eu.

Daí, meu povo, eu saí de mim. Meu coração acelerou. Se fosse o Fernando Henrique me ligando eu ia ficar feliz porque tenho umas coisas para dizer para ele. Mas Lula?! Meodeos. Não queria deixar a emoção estragar aqueles minutos. Pensei: “aproveite esse momento, Elika. Fale, pergunte… agarre a oportunidade. Quantas pessoas você acha que recebe uma ligação do Lula?”, refleti e tentei me acalmar.

– Presidente, – assim o chamei no impulso – eu quero lhe dizer que quem merece ser parabenizado por tudo não sou eu e sim você. Em nome de todos os brasileiros que hoje comem, se vestem e estudam, eu quero dizer: muito obrigada, Lula. E receba todo meu sentimento pelo falecimento de Dona Marisa.

– Obrigada, companheira. Mas quero te dizer umas coisas. Eu não sou de sair ligando para todo mundo. Mas seu texto me tocou muito. Percebi sinceridade nele inteiro e sua angústia com tudo o que está acontecendo. Liguei para te abraçar, agradecer e dizer para continuar sendo quem você é porque você é uma pessoa maravilhosa demais.

Ah gente… sinto muito. Chorei como um bezerro com ele do outro lado da linha e soluçando falei:

– Presidente, eu não quero deixar passar essa oportunidade e preciso te fazer uma pergunta. O nosso país anda esquisito, você viu pelo meu texto que ando sofrendo pressão para deixar de falar sobre política, todo dia uma notícia desse governo que vai de encontro ao projeto de diminuição da desigualdade social… Eu não tenho vontade de desistir de lutar porque sou dessas, meu presidente, de insistir nos sonhos. Mas, por vezes, lutamos apenas para não deixar o inimigo nos abater sem que resistamos, ainda que a morte seja certa. Isso posto: Lula, como você vê o futuro do nosso país? Sua luta está sendo movida pela esperança de ainda tocar para frente o seu projeto ou apenas para ter uma morte política digna?

A resposta veio imediata:

– Companheira, acredite que há muita coisa boa para acontecer. Estou animado e muito otimista.

E me disse muito mais coisas que acho que não convém falar aqui. Frases boas de serem ouvidas, sabe? Dessas que dá vontade da gente fazer muito mais do que anda fazendo pelo próximo.

Enfim, gente. É isso. Lula me ligou, disse que sou maravilhosa e trouxe a força que me faltava para continuar lutando por uma sociedade mais justa.

Felicidade é pouco. O que sinto não tem nome.

Vou ali agora enfartar e já volto.

Zerei a vida…

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Lula: Por que querem me condenar

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.

Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma "organização criminosa", e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que "não há fatos, mas convicções".

Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do "chefe", evidenciando a falácia do enredo.

Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.

De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.

Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.

Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.

A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.

Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.

Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?

Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.

Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.

É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.

Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.

Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA foi presidente do Brasil (2003-2010). É presidente de honra do PT (Partido dos Trabalhadores)

*Façamos justiça para um dos melhores presidentes da nossa história e que tirou milhões de pessoas da miséria.*

domingo, 29 de janeiro de 2017

Francisco Costa: O sucesso do Capitalismo bem desenhadinho

Ainda há pouco comecei uma discussão num grupo cheio de pobres pró capitalismo, algo assim como passeata de galinhas exigindo o direito das raposas não sentirem fome.
Fugi, claro, os argumentos usados enrubesceriam meninos do ensino fundamental.
Usam dois argumentos básicos: que as pessoas fogem dos países socialistas para os capitalistas mas não fogem dos capitalistas para os socialistas e que nenhum país “comunista” deu certo.
Antes de começar a esclarecer, quero justificar o primeiro parágrafo.
Segundo a ONG britânica Oxfam, os oito homens mais ricos do mundo, juntos, têm o equivalente ao que têm, também juntos, os 3,6 bilhões de seres humanos mais pobres do planeta, quase a metade da população planetária.
E foram adiante: 1% da humanidade tem o equivalente aos outros 99% da humanidade.
Traduzindo para coxas: é como se dividíssemos cem reais entre cem pessoas; uma ficaria com noventa e nove reais e noventa e nove dividiriam um real.
Os relatórios foram apresentados na Conferência de Davos e passou a fazer parte dos Anais do encontro.
Situações piores são a brasileira e a indiana, países considerados como os de maior distância entre pobres e ricos
A insuspeita revista Forbes, aceita no mundo todo como altamente confiável, publicou matéria afirmando que os seis brasileiros mais ricos têm, juntos, o mesmo que têm, também juntos, mais da metade do povo brasileiro (mais de cem milhões de brasileiros).
É este o regime moral, ético, justo,humano, cristão... Que defendem os coxinhas POBRES, as galinhas defendendo o direto das raposas comê-las.
Mas porque defendem isso?
Aprofundemos: esses seis donos das maiores fortunas brasileiras, pela ordem, são: Jorge Paulo Lemann, um dos donos da Ambev; Joseph Safra, dono do Banco Safra; Marcel Herrmamm Telles, sócio da Ambev e de outras cervejarias; Carlos Alberto Sicupira, sócio da Anbev e outras cervejarias; Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, e; João Roberto Marinho, dono do grupo Globo.
João Roberto, o dono da tevê Globo, entrou sozinho em sexto lugar, porque é o mais velho dos irmãos, mas os outros dois têm o mesmo patrimônio e a mesma quantidade de dinheiro que ele, quase quatorze bilhões de reais, cada um.
Juntos, saltariam para o terceiro lugar na lista dos mais ricos, e aqui chegamos ao cerne da questão: porque o povo brasileiro, sendo um dos mais pobres e explorados do mundo, defende a manutenção desse estado de coisas?
É notório que somos um povo bibliófobo, que tem medo de livros, nojo de livros, aversão aos livros, ou pelo menos indiferença aos livros, o que nos livra do conhecimento de qualquer teoria, com todo mundo achando-se sábios.
O brasileiro tem fonte de informação única, a televisão, vale o que a televisão diz.
Como a Globo continua hegemônica em praticamente todos os horários, a Globo é a escola, a conselheira e a informante do povo brasileiro, quer dizer, a formadora da consciência do povo brasileiro, e volto à lista dos mais ricos do país: juntos, os três donos da Globo têm o terceiro maior patrimônio do país.
Será que a Globo defende os interesses dos seus proprietários ou os interesses dos telespectadores? Será que a Globo defende os interesses de classe dos ricos ou dos pobres? A Globo é de direita por conveniência ou por opção ideológica?
A Globo foi contra a criação do décimo terceiro salário, foi contra a criação do FGTS, atendendo aos trabalhadores ou a quem paga aos trabalhadores?
É difícil entender isso, então a Globo reduziu o discurso, tornando-o mais assimilável pelos analfabetos políticos: corrupção.
Como corrupção, se a Globo tem quase um bilhão de reais em impostos vencidos e não pagos? Como corrupção, se a Globo está na operação Zelotes, que apura corrupção: sonegadores pagavam aos funcionários da Receita Federal, para que os seus nomes e os das suas empresas fossem retirados do sistema eletrônico de cobrança, do cadastro? Como corrupção se no mesmo banco em que Eduardo Cunha tem contas secretas, a Globo também tem, segundo o Ministério Público suíço?
Como induzir um povo a apoiar um golpe de estado, acusando o governo de corrupção, se todo o governo que o substituiu está sendo investigado por corrupção, se toda a cúpula do principal partido agente do golpe está sendo investigado por corrupção?
E a pergunta final: a Globo derrubou a Dilma no interesse do povo ou da classe dominante, para mudar ou para impedir que as mudanças continuassem?
Mas não adianta escrever para coxinhas, normalmente não passam do primeiro parágrafo, por não gostarem de ler ou, lendo, terem dificuldade de entender, embora creiam saber tudo de tudo, sem contar o aspecto do fanatismo político: se o texto lhes contraria os pensamentos, é falso, mentiroso ou pecaminoso.
Eles é que sabem.
Pois desafio a me contestarem com dados, basta digitar o que querem saber, no Google busca, consultar os sites e blogs no Google e vir aos comentários.
Não farão, isso pode aprofundar a dúvida, e é muito mais cômodo persistir nas próprias verdades.

Francisco Costa
Rio, 27/01/2017.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Imna Miranda: Feliz ano novo? Ou Feliz ano novo!

Imna Miranda
Médica
O ano de 2016 nos permite uma pergunta ou uma certeza pro ano vindouro? 
Boa pergunta! 2016 entre pela porta dos fundos de nossa história. ANO DO GOLPE , DOS RETROCESSOS TRABALHISTAS, DA VERGONHA MUNDIAL DE TRÊS PODERES VENAIS E CORRUPTOS QUE ESTÃO RIFANDO A NOSSA NAÇÃO E DA IGNORÂNCIA POLÍTICA E ECONÔMICA DE UM POVO AINDA UMBILICAL (SÓ ENXERGA O PRÓPRIO UMBIGO!)
Fomos divididos em 2 categorias: COXINHAS e PETRALHAS . Quem nos dividiu? Outra Boa pergunta com mais de uma resposta. Alguns dirão o jargão "culpa do PT". Outros dirão culpa dos GOLPISTAS..... 
Na verdade a culpa é de TODOS ! Não poupo ninguém! 
Os partidos de esquerda negligenciaram ou melhor dizendo "deixaram correr frouxo" a falta de entendimento da população sobre a Ascensão capitalista no país e a grande influência da mídia sobre nossa população. 
Os "coxinhas" e as " zelytes" foram massa de manobra e capatazes desse mesmo sistema. (O capitalismo)
O país tropical abençoado por Deus foi rachado , dividido e leiloado aos interesses ianques! 
Fomos as ruas , empunhamos cada qual a sua bandeira e esquecemos de empunhar a bandeira nacional!
Rasgamos em mil pedaços nossa carta magna e deixamos muito doente nossa jovem democracia isto sem falar no domínio do legislativo sobre tudo e todos. É erramos feio!
O que vejo agora ao fechar de 2016 São pessoas perdidas e temerosas com razão qto ao rumo da nação brasileira. Desemprego, violência, e todos os males que a ignorância política e social são capazes de trazer batem hoje a nossa porta.
O "tio sam" junto com a mídia fizeram um trabalho brilhante com nosso POVO "abençoado por Deus! "
As esquerdas pagam o preço das alianças com venais e da falta de pulso governamental. 
Ganhamos as eleições porém erramos na dose que divide liberdade de libertinagem!
Nosso povo começa a sentir agora os "danos" irreparáveis do GOLPE .
A direita "zelyte" começa a se ver como trabalhadores sem direitos! Descobre que tá mais próxima da base da piramide do que do ápice que ainda alberga o seu mísero 1%. pois é golpista vc é TRABALHADOR E NÃO EMPREGADOR!
Os especuladores internacionais riem a toa e o povo "abençoado por Deus" não sabe para onde ir.
Pros pessimistas fica o perdemos tudo! 
Pros otimistas ficam seremos elite especulando com os ianques. É pro povo de uma maneira geral ficam as reticências. ..
O GOLPE TAI O POVO TB ! Agora responde a pergunta que não quer calar : será feliz ano novo! Ou Feliz ano novo?. A resposta da maioria pesará no ano de 2017! #imnamiranda#

*A formatação original da postagem no Facebook foi mantida.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Lula: A sombra do estado de exceção se ergue sobre nós

Luiz Inácio Lula da Silva
Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.

Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma “organização criminosa”, e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que “não há fatos, mas convicções”.

Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do “chefe”, evidenciando a falácia do enredo.

Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.

De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.

Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.

Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.

A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.

Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.

Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?

Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.

Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.

É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.

Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.

Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Viúvas da Seca: Uma viagem ao passado ou ao futuro?

Viúvas da Seca - Reportagem do Fantástico (1983) from Giovani Silva on Vimeo.

Esta reportagem é de 1983. Mostra toda a calamidade causada pela Seca no Nordeste do Brasil. Era uma indústria de miséria! Muita gente ganhou dinheiro com esta indústria. Governadores e prefeitos que recebiam verbas para obras paliativas, donos de carros pipas, "Coronéis" que mantinham em cativeiro seu curral eleitoral a troco de uma lata d'água.
Se nada for feito contra este Governo Golpista, Elitista e CANALHA, voltaremos a este passado. Breve. Muito breve!! 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Eliton Felipe de Souza: O que nos guarda o futuro

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No futuro, o caos!

O ano é 2050, a turma é do 1° ano do ensino médio, a disciplina é Verdade histórica, a aula é a única da grade curricular de história de todo o ano e dura apenas 40 minutos. O professor, com seus 64 anos, 38 em sala de aula, e que trabalha em 8 escolas e faz bico como caixa do Walmart nos finais de semana, está cansado de seguir as regras estritas estabelecidas pelo governo do primeiro ministro Marinho e decide botar tudo a perder. Entra na sala e começa:
- Bom dia. Hoje não vamos iniciar a aula com a oração, guardem suas bíblias eletrônicas, vamos apenas conversar. Teremos uma aula de história do Brasil.
Os estudantes, incrédulos, não sabem o que dizer, afinal foram treinados para obedecer, mas sabem que não fazer a oração é um absurdo e ficam assustados.
- Mas professor, sobre o que vamos falar?
- A aula de hoje será sobre 2016 e como este ano mudou os rumos do país. 
- O ano do fim do comunismo no Brasil? Isso já sabemos. É o que aprendemos desde pequenos.
- Não, vocês não sabem. 
Espanto geral. O professor estaria questionando a cartilha do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ética, Religião e Moral, comandado pelo grande político Neves, neto de outro Neves, tataraneto de mais um político Neves?
O professor continua:
- Vocês sabiam que cerca de 30 anos atrás existiam escolas gratuitas e que o Estado bancava a educação? Elas, inclusive, estavam entre as melhores do país. Os hospitais podiam atender de graça....
- Que absurdo professor! E quem pagava a conta?
- A conta era paga com os impostos, os mesmos que ainda pagamos. Existia todo um sistema público criado para dar suporte e evitar epidemias como a de pólio de 2042 ou a de meningite, de 2044. O Estado possuía uma ampla estrutura que ia desde vacinas gratuitas até internações hospitalares e tratamento contra o câncer. 
João, neto de um político cassado na reforma política que instituiu o fim do presidencialismo e dos partidos de esquerda, em 2025, já havia ouvido algo sobre o assunto e se interessou:
- E como tudo mudou?
- Quando o presidente Michel Temer assumiu, após o Golpe contra a presidenta Dilma Rousseff... 
- O que é golpe? 
A palavra que foi banida da língua portuguesa em 2025, após a reforma ortográfica, precisou ser esmiuçada pelo professor que teve muito trabalho em se fazer entender. 
- Como eu ia dizendo, em 2017, Temer congelou todos os investimentos em educação, saúde, segurança... por 20 anos e quando o primeiro ministro Marinho assumiu o poder, em 2036, ele resolveu manter aquele pacote de medidas, assim como as demais, aprovadas durante as segunda e terceira décadas do século XXI. A lei de obrigatoriedade do ensino bíblico, de proibição da homossexualidade e/ou qualquer aberração humana e a manutenção da Rede Globo como emissora oficial do governo, por exemplo.
- O que mais que mudou? Pergunta João. 
- Já ouviram falar em aposentadoria? 
Alguns estudantes dão risadas contidas.
- Aposentadoria? Palavra engraçada, o que significa? Questiona Maria Júlia. 
- Antigamente, antes de morrer, você podia parar de trabalhar e o Estado te pagava um salário pra você aproveitar a velhice... 
Toca o sinal. Está na hora da aula de Ética Moro. O professor se despede da turma e caminha em direção à saída da escola, no caminho é preso pela conhecida polícia política, responsável por garantir que a Lei da escola sem partido seja cumprida. Condenado e preso, o professor pode finalmente parar de trabalhar. No dia seguinte os colegas de turma não têm mais notícias de Maria Júlia e João.

(Eliton Felipe de Souza, professor de história)
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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma."
(Joseph Pulitzer)